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hidrogênio natural 17 de Agosto de 2026

Água presa no subsolo há bilhões de anos pode revelar fontes de hidrogênio

Água presa no subsolo há bilhões de anos pode revelar fontes de hidrogênio

Nos anos 1990, a geoquímica Barbara Sherwood Lollar desceu mais de três quilômetros na mina Kidd Creek, no norte de Ontário, Canadá, e encontrou algo inesperado: água presa no subsolo por mais de um bilhão de anos. Essa salmoura antiga não era apenas uma curiosidade geológica – ela se mostrou um verdadeiro habitat, repleto de micro-organismos que sobrevivem sem luz solar. Mas o que essa descoberta tem a ver com hidrogênio?

A resposta está na química da água. Nas profundezas da Terra, a interação entre rochas e água pode produzir hidrogênio molecular (H₂), um gás que, na superfície, é considerado um combustível limpo e renovável. Pesquisas recentes indicam que enormes quantidades de hidrogênio podem estar acumuladas em formações rochosas subterrâneas, aguardando para serem extraídas. O trabalho de Sherwood Lollar e sua equipe na mina Kidd Creek foi um dos primeiros a mostrar que ambientes profundos abrigam água capaz de sustentar vida – e, potencialmente, armazenar hidrogênio.

“A água que encontramos estava isolada do resto do planeta por mais de um bilhão de anos”, explica a pesquisadora em entrevistas recentes. “Isso significa que qualquer gás dissolvido ali, incluindo hidrogênio, pode ter se acumulado ao longo do tempo geológico.” A descoberta abriu caminho para uma nova área de estudo: a exploração de hidrogênio natural, também chamado de hidrogênio branco ou geológico.

Hoje, empresas e governos buscam ativamente por essas reservas subterrâneas. Diferente do hidrogênio produzido a partir de gás natural ou eletrólise, o hidrogênio geológico não requer processos industriais poluentes – ele já está lá, formado naturalmente. Mas ainda não se sabe exatamente quanto existe. Estimativas variam de dezenas a centenas de bilhões de toneladas, suficientes para suprir a demanda global por energia por séculos, caso seja possível extraí-lo de forma viável.

A descoberta de Sherwood Lollar não foi um anúncio formal, mas sim o resultado de anos de pesquisa publicada em periódicos científicos. O trabalho dela, em parceria com geólogos e microbiologistas, revelou que a salmoura de Kidd Creek contém altas concentrações de hidrogênio dissolvido, sugerindo que processos naturais de geração de H₂ são comuns em rochas profundas. Isso levanta uma questão importante: será que existem reservas ainda maiores escondidas sob nossos pés?

O potencial é imenso. Se confirmado, o hidrogênio subterrâneo poderia revolucionar a matriz energética global, oferecendo uma fonte limpa, barata e virtualmente inesgotável. No entanto, ainda há desafios técnicos e econômicos. É preciso perfurar a grandes profundidades, mapear as formações geológicas e desenvolver métodos de extração que não contaminem os aquíferos superficiais.

A história de Barbara Sherwood Lollar nos lembra que as respostas para os problemas do futuro muitas vezes estão enterradas – literalmente – no passado da Terra. E que a ciência básica, como explorar uma mina em busca de água antiga, pode abrir portas inesperadas para soluções energéticas.


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