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Inteligência Artificial: notícias, análises e o futuro da tecnologia
Imagine o seguinte: você tem uma livraria antiga, com títulos que não se encontram mais em lugar nenhum. De repente, uma empresa gigante chega e compra esses livros — não para lê-los ou vendê-los, mas para destruí-los. Parece coisa de filme, né? Pois é exatamente isso que está acontecendo com a Amazon.
Sim, a mesma empresa que começou como uma livraria online nos anos 90 está, hoje, destruindo livros raros para treinar seus modelos de inteligência artificial (IA). E isso não é uma notícia distante, que não afeta sua vida. Acredite: essa história mexe diretamente com a forma como você interage com a tecnologia no dia a dia.
A Amazon está comprando exemplares únicos e antigos — alguns com centenas de anos — e simplesmente rasgando suas páginas ou digitalizando-os para nunca mais serem usados fisicamente. Por quê? Porque esses livros contêm informações que não estão disponíveis na internet.
Os grandes modelos de linguagem (LLMs), como o ChatGPT, o Gemini e o assistente Alexa, são treinados com bilhões de textos online. Mas já esgotaram boa parte do conteúdo público. Para ficarem mais inteligentes, precisam de dados novos, exclusivos, que ninguém mais tem. E livros raros são uma mina de ouro — com conhecimento que não foi repetido em blogs ou redes sociais.
O problema é que, depois de usar o conteúdo, o livro físico é descartado. Ou seja, a informação é extraída, mas o objeto histórico é perdido para sempre.
Vamos a um exemplo concreto. Você já pediu ajuda para a Alexa e ela não entendeu uma expressão regional? Ou tentou traduzir um texto antigo e o Google Translate se atrapalhou? Isso acontece porque os modelos de IA foram treinados majoritariamente com conteúdo moderno e online. Livros raros trazem vocabulário, contextos históricos e formas de pensar que tornam a IA mais sofisticada.
Se a Amazon conseguir melhorar sua IA com esses dados, sua experiência com assistentes, recomendações e pesquisas pode ficar mais precisa. Você pode pedir uma receita do século XIX e receber uma resposta correta. Ou buscar um evento histórico obscuro e ter uma explicação clara.
Porém, o custo é alto: perdemos fontes originais de conhecimento. Um livro de 1700, com anotações manuscritas, é insubstituível. Quando é destruído, a sociedade perde um pedaço da sua história.
Outras empresas também fazem isso. O Google já digitalizou milhões de livros, mas muitos foram danificados no processo. E startups de IA contratam pessoas para criar dados sintéticos — textos gerados por computador que simulam conhecimento raro. Mas nada substitui o original.
A grande questão é: vale a pena avançar a tecnologia às custas do patrimônio cultural? Você, como usuário, pode se beneficiar de uma IA mais esperta, mas também perde acesso a obras que poderiam ser consultadas no futuro.
Não precisa sair comprando todos os livros antigos da sua cidade. Mas fique atento:
A tecnologia avança rápido, mas não precisa passar por cima do que é único. No fim, o conhecimento dos livros raros pode melhorar sua vida, mas o original deve permanecer para as próximas gerações.
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