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Fender 2 de Agosto de 2026

CEO da Fender compara colegas de banda a 'IAs analógicas' e gera polêmica

CEO da Fender compara colegas de banda a 'IAs analógicas' e gera polêmica

O presidente da Fender, Edward “Bud” Cole, causou controvérsia ao afirmar, em entrevista à revista britânica T3, que os outros músicos de uma banda seriam equivalentes a “inteligências artificiais analógicas”. A declaração, dada originalmente em outubro de 2023 durante as celebrações dos 75 anos da Telecaster, passou despercebida na época, mas viralizou nas redes sociais no início deste mês, agravando uma crise de relações públicas que a empresa já enfrentava.

Na entrevista, Cole comentava sobre a parceria da Fender com plataformas de inteligência artificial para criar ferramentas de composição musical. “Você tem sua guitarra, seu amplificador — isso é hardware. Mas o software? Bem, você pode pensar nos seus colegas de banda como IAs analógicas”, disse o executivo, tentando explicar como a IA poderia substituir ou complementar a interação humana na música. A frase foi interpretada por músicos e fãs como uma desvalorização do talento e da criatividade humana, gerando críticas pesadas nas comunidades de guitarristas e nas redes sociais.

Para entender o tamanho da polêmica, é preciso voltar no tempo. Nos últimos anos, a Fender — conhecida por suas Stratocaster, Telecaster e Precision Bass — adotou uma série de medidas que irritaram seus consumidores mais fiéis. A empresa fechou sua lendária loja Custom Shop em Corona, Califórnia, e transferiu a produção para o México, o que muitos viram como perda de qualidade. Além disso, a marca começou a cobrar por atualizações de software em seus amplificadores digitais e pedais, algo que antes era gratuito. A declaração de Cole pareceu ser a gota d’água para uma base de fãs já desgastada.

O que exatamente é uma “IA analógica”? O termo é controverso. Na prática, a IA (inteligência artificial) é digital: baseada em algoritmos e dados processados por computadores. Chamar um ser humano de “IA analógica” soa como uma tentativa de equiparar a complexidade da mente humana a um sistema programável. Para muitos músicos, isso reduz o papel do improviso, da emoção e da imprevisibilidade que fazem da música ao vivo uma experiência única.

Cole, por sua vez, tentou se explicar em um post no LinkedIn, afirmando que suas palavras foram tiradas de contexto e que ele tem o maior respeito pelos músicos. “A intenção era mostrar como a tecnologia pode ser vista como um novo membro da banda, não substituir ninguém”, escreveu. Mas o estrago já estava feito. A hashtag #BanFender chegou a ficar entre os trending topics do X (antigo Twitter) nos Estados Unidos, e algumas lojas de instrumentos musicais relataram queda nas vendas de produtos da marca.

A Fender não é a primeira empresa de música a enfrentar reações negativas por declarações polêmicas de seus líderes. Em 2021, o CEO da Gibson foi criticado por chamar guitarristas de “conservadores” por resistirem a mudanças. No entanto, o caso da Fender parece mais grave porque toca no cerne da relação entre músicos e seus instrumentos — uma relação quase espiritual, baseada em décadas de tradição e confiança.

Será que a inteligência artificial conseguirá um dia capturar a essência de uma jam session ou de um improviso de blues? A resposta provavelmente é não, pelo menos não no sentido humano. Mas a declaração de Cole abriu uma discussão importante: até que ponto as empresas de instrumentos musicais devem abraçar a tecnologia sem pisar na alma da música?

Enquanto isso, a Fender segue com seus planos de integração de IA em seus produtos. A empresa já oferece um serviço chamado “Fender Play”, que usa algoritmos para sugerir exercícios personalizados. Também lançou um aplicativo de composição que gera sugestões de acordes com base em inteligência artificial. Para Cole, essa é a evolução natural. Para os críticos, é uma tentativa de monetizar algo que sempre foi gratuito: a troca criativa entre músicos.

O presidente da Fender ainda não se pronunciou oficialmente além do post no LinkedIn, e a empresa não retornou pedidos de entrevista. Mas uma coisa é certa: a analogia infeliz deixou claro que, no mundo da música, algumas coisas não podem ser substituídas por algoritmos — pelo menos não sem gerar barulho.


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