O Google vai planejar suas férias? O que a IA no Search muda no turismo
Quem nunca passou horas — sim, horas — pulando de aba em aba tentando montar aquela viagem
Inteligência Artificial: notícias, análises e o futuro da tecnologia
A conferência Google I/O 2026, realizada em maio no Shoreline Amphitheatre, na Califórnia, trouxe uma série de anúncios que reforçam a aposta da gigante das buscas em inteligência artificial (IA) e integração entre serviços. Sundar Pichai, CEO do Google, e outros executivos apresentaram 12 grandes novidades em um keynote de duas horas. Aqui está um resumo do que foi revelado, com tradução para termos simples e sem jargões técnicos.
O ponto alto foi o lançamento do Gemini 3, a terceira versão do modelo de IA do Google. Diferente de versões anteriores, que focavam em texto, o Gemini 3 é multimodal nativo, ou seja, processa e combina texto, imagens, áudio e vídeo simultaneamente. Por exemplo, você pode mostrar um vídeo de uma receita e pedir que ele adapte para uma dieta específica. O modelo também é mais eficiente em tarefas cotidianas, como resumir e-mails ou sugerir respostas, mas o Google não forneceu dados comparativos de performance com concorrentes.
O recurso de resumo de resultados de busca, chamado AI Overviews, ganhou novas habilidades. Agora, ele pode gerar respostas mais longas e incluir links diretos para fontes, além de permitir que o usuário faça perguntas de acompanhamento sem refazer a busca. Isso significa que o Google está tentando tornar as pesquisas mais conversacionais, algo que já vinha sendo testado em versões beta.
O Project Starline, que cria uma imagem tridimensional realista de uma pessoa durante videochamadas, saiu do protótipo e vai se integrar ao Google Meet. A tecnologia usa câmeras e sensores para criar uma projeção sem necessidade de óculos especiais. Empresas poderão testar o sistema ainda em 2026, com preço não divulgado.
A linha de hardware ganhou o Pixel 10, com novo processador Tensor G6 que prioriza tarefas de IA localmente, sem depender da nuvem. O celular promete melhorias em fotografia computacional e bateria. Já o Pixel Watch 4 trouxe sensores de temperatura corporal e sono mais precisos, além de integração com o Fitbit.
O assistente de voz foi turbinado pelo Gemini. Agora, ele pode manter conversas mais naturais, com contexto longo. Por exemplo, você pode perguntar sobre o clima, depois sobre restaurantes próximos e, por fim, pedir para agendar um jantar — tudo na mesma conversa. O recurso chega primeiro nos Estados Unidos em inglês.
O Android 17 foi anunciado com foco em privacidade e controle de dados. Novas permissões granulares permitem que o usuário decida exatamente quais dados cada app pode acessar, e por quanto tempo. Além disso, a atualização inclui um modo de “não rastrear” mais robusto e alertas em tempo real sobre apps que coletam dados demais.
O Maps ganhou um recurso de previsão de trânsito baseado em padrões históricos e em tempo real, combinado com dados de IA. O app agora sugere rotas não só mais rápidas, mas também menos poluentes, e mostra o horário estimado de chegada com base em condições futuras — algo que antes era baseado apenas em dados atuais.
O YouTube anunciou ferramentas de criação para criadores de conteúdo. O “Video Studio” permite gerar ou editar vídeos com comandos de texto, como “adicione uma introdução animada em estilo retro”. Também foi lançada a “Dream Track 2.0”, que gera músicas originais a partir de descrições textuais, com direitos autorais compartilhados.
No Workspace, o Google anunciou agentes de IA que podem participar de reuniões e organizar tarefas. Por exemplo, um agente pode anotar pontos de uma reunião e enviar resumos automáticos, ou organizar arquivos no Drive baseado em conversas. Os recursos estarão disponíveis apenas para assinantes do Business e Enterprise.
O chatbot Bard foi rebatizado como Gemini Chat, alinhando-se à família Gemini. Além do novo nome, ele ganhou suporte para plugins de terceiros, como integração com Spotify e Uber, permitindo ações diretas, como “crie uma playlist relaxante” ou “peça um carro para a reunião das 15h”.
O sistema para smartwatches, Wear OS 5, foi otimizado para bateria mais longa e apps que rodam de forma mais fluida. A novidade é a integração com o Gemini para respostas rápidas a notificações e comandos, sem precisar abrir apps específicos. A Samsung e a Mobvoi confirmaram atualização para seus principais modelos.
O laboratório DeepMind apresentou o “AlphaFold 3.0”, que agora prevê não apenas proteínas, mas também interações entre moléculas, o que pode acelerar pesquisas em medicamentos. O Google liberou acesso gratuito para pesquisadores acadêmicos, enquanto a versão comercial terá custos.
Os anúncios mostram que o Google está consolidando a IA como o centro de sua estratégia, do sistema operacional aos aplicativos. A pergunta que fica é: em um mundo cada vez mais automatizado, como garantir que essas ferramentas realmente simplificam a vida sem comprometer a autonomia do usuário? A resposta, talvez, venha com o tempo e com a transparência na implementação.
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