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inteligência artificial 22 de Julho de 2026

Governos e empresas se unem para combater uso malicioso de IA por grupos estatais

Governos e empresas se unem para combater uso malicioso de IA por grupos estatais

No último mês, um grupo de empresas de tecnologia e agências de segurança cibernética divulgou um relatório conjunto alertando sobre o crescente uso de inteligência artificial (IA) por grupos de hackers ligados a governos. O documento, intitulado Disrupting malicious uses of AI by state-affiliated threat actors, foi apresentado durante uma conferência internacional de segurança digital em Washington, D.C., e traz exemplos concretos de como essas táticas estão evoluindo.

De acordo com o relatório, atores patrocinados por estados – como Rússia, China, Irã e Coreia do Norte – estão utilizando ferramentas de IA para automatizar ataques cibernéticos, criar deepfakes (vídeos ou áudios falsos muito realistas) e até mesmo para enganar sistemas de segurança. Um dos exemplos citados é o uso de chatbots geradores de texto para elaborar e-mails de phishing (golpes por e-mail) mais convincentes, que imitam o estilo de escrita de pessoas conhecidas da vítima.

“Esses grupos não estão só testando a IA, eles já a estão usando em operações reais”, afirmou Maria Santos, analista de segurança da empresa CyberGuard, uma das autoras do documento. “A diferença é que agora os ataques são mais rápidos, mais direcionados e mais difíceis de detectar.”

O relatório também destaca que os hackers estão empregando IA para analisar grandes volumes de dados roubados, identificando padrões que permitem acessar informações sigilosas ou chantagear alvos. Além disso, sistemas de reconhecimento de imagem baseados em IA estão sendo usados para burlar controles de acesso em prédios governamentais – por exemplo, gerando fotos falsas que enganam câmeras de segurança.

Para combater essa ameaça, as empresas de segurança estão desenvolvendo ferramentas de IA defensiva. Uma delas é um sistema que detecta padrões anormais de tráfego na rede, como se fosse um “vigilante digital” que aprende o que é normal e dispara alarmes quando algo estranho acontece. Outra estratégia é o uso de modelos de IA para identificar deepfakes, analisando inconsistências em vídeos e áudios – como piscadas de olho irregulares ou sombras que não condizem com a fonte de luz.

Mas os especialistas alertam que isso é uma corrida armamentista. “Enquanto criamos defesas, os atacantes melhoram seus métodos”, explica Carlos Mendes, professor de segurança cibernética da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do relatório. “O que vemos hoje é um ciclo: eles usam IA para atacar, nós usamos IA para defender, e assim por diante.”

O relatório também faz recomendações para governos e empresas: investir em treinamento de equipes para identificar ataques com IA, compartilhar informações sobre novas ameaças e criar regulamentações que limitem o uso de tecnologias deepfake em campanhas de desinformação. “A IA não é boa nem má, depende de quem a usa”, diz Maria Santos. “Mas quando um governo usa IA para espionar ou desestabilizar outro país, precisamos agir juntos.”

Você já parou para pensar como a IA pode ser usada para enganar você no dia a dia? Um e-mail do seu banco ou um vídeo de um amigo pedindo ajuda podem ser criados por programas cada vez mais sofisticados. A boa notícia é que, assim como os criminosos evoluem, também evoluem as ferramentas para nos proteger. Mas a vigilância de cada um – desconfiar de mensagens estranhas, verificar fontes – ainda é a primeira linha de defesa.


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